A Revolta da Feijoada

Por Henrique Ribeiro

Feijoada

Está na hora de separar homens de crianças. Esse post é sério, e não é pra estômagos fracos.

Para começar, um esclarecimento: as opiniões variam sobre este, que é um dos assuntos mais polêmicos da culinária brasileira. “Como deve ser um boa feijoada?”

Então, vamos fazer um exercício mental.

Você acha que feijoada:
a) É feijão com carninha;
b) É feijão com linguiça;
c) É feijão com bacon;
d) É feijão preto temperadim;
e) Só é gostosa quando é “light”.

Se você marcou alguma das alternativas acima (ou mais de uma), parabéns. Respeito muito sua opinião. Pode parar de ler o post por aqui, vá a qualquer restaurante, em qualquer lugar, peça sua “deliciosa feijoada” e seja feliz.

– –

Continua lendo? Ótimo. Então ainda há esperança.

Sem rodeios. Não conheço NENHUM restaurante que sirva uma boa feijoada na Savassi (onde trabalho). Fui em vários. Mesmo. Nos que ouvi falar (tipo Armazém Dona Lucinha), nos que foram indicados (tipo Bar Ideal), e até nos PFs de esquina, nos quais depositamos nossas esperanças de um mundo melhor. Todas as feijoadas desses lugares se enquadram em pelo menos uma das afirmativas lá de cima (ou seja, não prestam). E por quê?

Minha teoria é que essa desvirtualização do prato é fruto do que eu chamo de “Cultura do Peito de Frango”. Uma estratégia criada pelos empresários da culinária para agradar um público mais variado. Consiste em fazer os pratos de maneira medíocre, não para tentar agradar, mas para tentar não desagradar. Exatamente como o peito de frango. Não tem muito gosto, não tem muito charme, mas todo mundo come. Isso virou epidemia em Belo Horizonte (e contagiou tb muitos participantes do Comida di Buteco, por sinal).

Feijoada é a cara do Brasil. É um prato de povo sofrido, de origem humilde. É barata, porém forte, gordurosa e nutritiva. É feita com partes menos “nobres” do porco (orelha, pé, rabo e nacos de carne de segunda) cozidos JUNTO com o feijão (quando se cozinha separado, perde o gosto). Bacon, costelinha defumada, paio e/ou cebola? Ficam ótimos, desde que os ingredientes acima sejam respeitados. E o tempero é louro e sal (se o das carnes salgadas não for suficiente). Só.

– Se cozinhou separado, não é feijoada. É feijão com trupico.
– Feijoada não tem carne de boi.
– Feijoada não tem legumes (tipo pimentão) no preparo.
– Feijoada light não existe. Feijoada é heavy na essência.

No fim, essa é a questão. Se você também se revolta com isso, proteste. Fale mal dos bares que te servirem Feijoada-peito-de-frango. Pode ser no Facebook, em algum blog, ou no boca-a-boca. O importante é exaltar os restaurantes bons, para que tenhamos um número cada vez maior deles.

E se alguém souber de algum lugar que tenha feijoada de verdade, favor indicar. Mas fique avisado: se for ruim, eu desço a lenha.

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3 comentários sobre “A Revolta da Feijoada

  1. Só pra deixar claro: o prato Feijoada de Bacalhau, feito por mim e pelo Ricardo, não é feijoada. É um prato novo, criado especificamente para um concurso (que, aliás, não entramos porque esquecemos de nos inscrever). uhauahuauhauh

  2. Concordo com o Henrique e complemento o movimento demonstrando que, no Perdição, longe de tentarmos criar uma ditadura culinária, somos democráticos, porém justos. Os pratos de feijão preto com carne de boi, cozidos em separado, com pimentão e afins, podem continuar sendo vendidos e fazendo a alegria de quem os aprecia. Mas, por favor, respeitem a cultura e excelência da culinária desse país e parem de chamar isso de feijoada. Dou até sugestão: Publicité mensongère. Aí, fica tudo bem, a feijoada pra cá, o resto pra lá.

  3. Puta merda, o Adilso escrevendo em francês. Agora fudeu glr. Cooorrreeee… rs… Concordo 100% com tudo. Só achei pouco falar que cada um tem direito a sua opinião. Feijoada NÃO é feijão temperado, NÃO leva carne de boi e NÃO é cozida separadamente. Por favor, inventem outro nome pra esse prato porque já estamos usando o nome feijoada pra outra coisa. Então tem quem goste de feijoada e tem quem goste de feijão feito de outra forma, mas NÃO é feijoada. Como o Adilso disse, é ψευδή διαφήμιση (se ele pode em francês eu posso em grego – hahahahaha). Como vocês sabem, inclusive, o Gu faz uma feijoada muito boa. Parem de malhar ele, deixem-no fazer a famosa feijoada de verdade e vamos marcar uma reunião pra comermos até morrer.

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